Não é preciso ter um motivo suficiente
Muita gente demora a buscar terapia porque acha que o que está vivendo "não é grave o bastante".
Se você sente que algo precisa de espaço, isso já basta. Não é preciso estar em crise, ter um diagnóstico, ou saber explicar com clareza o que a trouxe. Algumas das experiências mais ricas em terapia começam com um simples eu não sei exatamente, mas sinto que preciso.
Também não é preciso ter tudo organizado na cabeça antes da primeira conversa. A terapia é, em grande parte, um espaço para que o que ainda não foi pensado possa, enfim, vir à tona.
Como é a primeira conversa
O primeiro contato costuma acontecer por WhatsApp ou e-mail. Você manda uma mensagem — nada formal, apenas dizendo que gostaria de conversar — e eu respondo o mais rápido que puder, geralmente no mesmo dia.
Nessa conversa inicial, vou fazer algumas perguntas breves: se você tem preferência por atendimento online ou presencial, se há algum horário que funciona melhor, e uma noção bem geral do que te trouxe até aqui. Não é uma entrevista — é só para que a gente possa marcar a primeira sessão de forma adequada.
Não precisa pedir desculpa pelas dúvidas
Muitas pessoas entram em contato pedindo desculpa por "tomar tempo", ou se justificando por "ainda estar pensando". Nada disso é necessário. Considerar começar já é parte do processo — e dúvidas são muito bem-vindas.
O que acontece no primeiro encontro
A primeira sessão é, principalmente, um momento de nos conhecermos. Dura em torno de 50 a 60 minutos, como as demais.
Você não precisa chegar sabendo por onde começar. Eu conduzo algumas perguntas — sobre sua vida hoje, sobre o que te traz, sobre sua história, sobre o que sente no corpo, sobre o que espera de um processo como esse. Não é um interrogatório — é uma conversa.
Ao final desse encontro, se a gente sentir que há sintonia e se você sentir que esse é o espaço certo, combinamos os próximos passos. Se preferir pensar, também está tudo bem. A decisão é sua, no seu tempo.
Como o vínculo se forma
As primeiras semanas costumam ser de mapeamento. Não é possível — nem desejável — mergulhar em tudo de uma vez. Aos poucos, você conta, eu escuto, algumas coisas começam a se organizar, outras se mostram mais complexas do que pareciam.
O vínculo terapêutico é uma construção lenta. Na maioria dos casos, só depois de algumas semanas é que se estabelece aquela sensação de "lugar seguro" — onde você pode dizer o que for preciso, sem filtro, sem medo de julgamento, sem pressa.
Por isso, uma recomendação: dê pelo menos algumas semanas antes de avaliar se o processo "está servindo". No início, é normal sair das sessões com mais perguntas do que respostas — e isso não é problema, é a natureza do trabalho.
Quando a terapia está funcionando
Uma dúvida comum é "como sei se a terapia está fazendo efeito?" A resposta é mais sutil do que parece — e quase nunca tem a ver com "se sentir bem sempre".
- Você começa a reconhecer padrões que antes eram invisíveis — "ah, estou fazendo isso de novo"
- Reações automáticas ganham uma pequena pausa antes de acontecer — espaço para escolher
- Você consegue falar de coisas que antes não conseguia nomear
- Sintomas corporais e emocionais começam a ter sentido — não são mais "ataques do nada"
- Você se sente mais presente, mesmo quando a vida lá fora continua difícil
- Algumas decisões que pareciam impossíveis começam a parecer possíveis
E se parecer que piorou?
Em muitos processos, há momentos em que a pessoa se sente pior antes de melhor. Isso costuma acontecer quando algo importante emerge — dores antigas que não estavam sendo sentidas ganham espaço. Isso não é sinal de que a terapia está falhando. Frequentemente é o oposto: é sinal de que algo real está sendo tocado. Sempre é bom, nesses momentos, conversar sobre isso em sessão.
O que mais você precisa saber
Algumas informações práticas costumam aparecer na cabeça de quem está considerando começar. Aqui estão as respostas para as mais frequentes.
Modalidade
Atendimentos online e presenciais. Cada modalidade tem suas particularidades — a gente pode conversar sobre qual faz mais sentido para você.
Frequência
Semanal, no mesmo horário. Em alguns casos específicos, conversamos sobre outras possibilidades de frequência.
Duração da sessão
Entre 50 e 60 minutos. O tempo é nosso — começa e termina sem pressa, mas com consistência.
Sigilo
Tudo o que é dito nas sessões permanece em sigilo absoluto, conforme o código de ética do Conselho Federal de Psicologia.
Valor
O valor é conversado no primeiro contato. Emito recibo para reembolso em planos de saúde e imposto de renda.
Dúvidas específicas
Para qualquer pergunta que não esteja aqui, basta enviar uma mensagem. Respondo sempre — e sem pressão.
O primeiro passo não precisa ser enorme. Precisa só ser dado.— Um princípio da escuta